domingo, 5 de junho de 2011

24 de maio - Prato 03

O Núcleo de Culinária funciona na cozinha do Centro de Convivência do Bairro São Paulo.
Em primeira instância poderíamos dizer que é uma cozinha aberta, mas não.
É uma espécie de cozinha de casa, cozinha comunitária onde todo o Centro de convivência tem acesso. É lindo.
É algo que não deveríamos nunca nos distanciar: 
é seguramente dentro daquela realidade a 'cozinha lá de casa'.


Mas a de se perceber que é necessário, como o primeiro passo para o desenvolvimento dos trabalhos da Organização. a escolha de um lugar.  
A produção precisa de um lugar profissional. 
Mas um espaço que respeite o tempo desses indivíduos. 
Que dialogue com a sua realidade.
Um espaço que propicie a inserção no mercado de trabalho. 
Que busque referências em suas raízes.


Ontem a Graça, uma parceira do Núcleo, falou-nos das memórias, do fogão à 
lenha de sua meninice. 
Intuo que esse pode ser um grande experimento. 
Consideramos: 60% do sucesso de uma cozinha profissional atribui-se a logística 
(a organização e gestão de meios e materiais). 


Mas Como fazer uso dela nesse espaço onde a lógica é desconfigurada.  


Nesse momento, uma palavra dá lugar a outra: 


aquilo que se desconfigura se resignifica.


A cozinhAberta vem transformar pressão em motivação;
Certamente munida de equipamentos, uniformes e utensílios mas não só: 
ela conta com um quintal ou um jardim,
 um fogão à lenha, uma horta ou herbário.
quem sabe uma rede de dormir pra brincar. 

aqui vale o trecho do poema que diz: 

Quem sabe o que isto quer dizer?
Eu não sei, e foi comigo...
(Sei muito bem que na infância de toda a gente houve um jardim,
Particular ou público, ou do vizinho.
Sei multo bem que brincarmos era o dono dele.
E que a tristeza é de hoje).

Sei isso muitas vezes.


Estamos falando de espaço físico; de lugar:
 Nesse mundo pós-contemporâneo -  o que realmente vale a pena  são pessoas e lugares.

O espaço físico é muito importante; 
um espaço aberto, que privilegie o verde e o convívio entre a equipe.
Com uma organização simples  e clara; sem excessos.
A elaboração do cardápio passa pela experiência pessoal,
 que é transmitida ao grupo, 
que por sua vez reinventa o prato. 
Essa ação se desdobra na aquisição 
de materiais e utensílios e  na rotina do preparo.

Apenas o essencial - que pode ser sofisticado sem perder a simplicidade.
      
A Nilza   nos falou da habilidade dela com  a desossa  de frango.

Pois bem :
Esse saber é transmitido ao grupo
que   aprende e executa repetidas vezes; 
dezenas, centenas  de vezes.

a repetição nos dá a habilidade e a possibilidade de extrairmos o máximo de sabor dos alimentos  aproveitando o  máximo de suas qualidades.

isso tudo nossas mães e avós já nos ensinavam a muito tempo.

e por falar em tempo, 
há de se sobrar um,
 para uma boca de pito,
uma brincadeira e uma boa prosa no fogão à lenha ainda quente
 da rotina de mais um dia 

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